Somos O Estagiário Que Quer Virar Presidente", Diz Presidente Do Partido Novo
SÃO PAULO - Há pouco mais de um ano, o Tribunal Superior Eleitoral concedia autorização para a formação de mais uma sigla no sistema partidário brasileiro -- a 33ª dentro de um mundo que hoje conta com 35 legendas. Afim de ofertar escolhas ao cardápio político nacional, o Partido Novo logo atraiu a curiosidade de um público insatisfeito com os atores e práticas convencionais.
Tua agenda cerca de enxugamento da máquina e promoção de eficiência à esfera pública fez do partido um dos menus prediletos de investidores do mercado financeiro. O presidente João Dionísio Amoêdo conta que a proposta é carregar novos valores ao mundo político, porém sem negá-lo. O desempenho foi muito comemorado dentro do partido, que se considera o mais liberal de todo o sistema partidário nacional. Amoêdo. Em entrevista ao InfoMoney, o presidente do Partido Novo conta a ideia que marcou o surgimento da sigla, os próximos desafios e a percepção a respeito do atual situação política e econômica pela qual passa o país. InfoMoney - O que o fez abandonar uma carreira conhecida no mercado financeiro pra ingressar no espinhoso mundo da política e fundar o Novo?
João Amoêdo - Na realidade, a ideia inicial nem sequer era elaborar um partido político, mas havia aquele sentimento de insatisfação com os serviços públicos. É aquela história de você observar um sujeito na via pedindo esmola e, do outro lado, você pagando um monte de imposto. São aquelas fotografias das pessoas nos hospitais em falta de leito, as escolas em estado precário. Foi aí que surgiu o desejo: não é possível que a gente não possa levar práticas da iniciativa privada pro mundo público.
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Transparência, meritocracia, gestão eficiente, metas, definição de parâmetros, melhores práticas. No momento em que começamos a meditar nisto, três coisas ficaram muito claras para nós. A primeira era que o Estado tem uma concentração muito enorme de recursos, por isso qualquer coisa relevante que pudesse ser feita para aprimorar a existência das pessoas passava por uma atuação pela área pública. A segunda era que a gente deveria transportar bons gestores da iniciativa privada, que não se interessavam pela política, para a política. Um último ponto foi que a forma de tornar o Estado produtivo, para que pudesse atender as demandas básicas, passava obrigatoriamente por uma redução em seu escopo de atuação.
Como em qualquer negócio, no momento em que se quer fazer tudo ao mesmo tempo, não se faz nada bem. E o Estado, que se metia a ser empresário e administrar uma série de coisas, não conseguia fazer o básico, que era saúde, educação e segurança. Precisávamos ter um modelo de Estado que focasse no essencial e saísse daquilo que não é prioritário.
Isso significa definitivamente perda de poder para os nossos políticos, com menos área pra apontar gente, menos orçamento ante poder de gestão e mais dinheiro no bolso das pessoas. Era preciso entrar no mundo político, elegendo gente e levando ideias pra lá. E isso deveria acontecer através de um partido político.
IM - Antes disso, os senhores não tiveram nenhuma experiência formal direta pela política? JA - Não. Eu até brinco que a única experiência que tinha era de votar - na extenso maioria das vezes, escolher entre o menos pior. Até por toda a atividade pela área financeira e na época de formação como estudante em duas faculdades ao mesmo tempo, não dava pra dirigir-se para a política.
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