Sagrados E Malditos


Feitiçaria, orgia, traição sexual, baderna e massacre. Os homens do Antigo Regime podiam escutar muita coisa no gemido de um gato", diz o historiador americano Robert Darnton no livro O Amplo Massacre dos Gatos. Foi um período nebuloso para os pequenos felinos. Com a queda do Império Romano, a Europa medieval foi dominada por uma Igreja Católica carregada de superstições.



Naquela data, todos que fossem contrários à doutrina cristã eram bruxos, e toda bruxa possuía um gato", diz o professor de veterinária Archivaldo Reche, da USP.is?6wNvP2SH4MgiDWJKNSPsWpIKx06RUXr_5-TncN59Lg0&height=199 Com hábitos noturnos, olhos que brilham no escuro, caminhar silencioso e uma resistência física fora do comum, os gatos pareciam mesmo ser de outro universo. Nasciam superstições como a de que eles, e principalmente os de pelos pretos, seriam bruxas disfarçadas. Vem dessa época a lenda de que cruzar com um gato na via era sinal de mau agouro. E por bastante tempo foi mesmo - não para nós, mas pra eles.



Em 1484, o papa Inocêncio 8o chegou a adicionar os gatos pretos pela lista de hereges perseguidos pela Inquisição. Faleceram tantos deles nas fogueiras da Idade Média que os ratos começaram a se multiplicar rapidamente. Livres de seus caçadores, devastaram a população europeia em meados do século 14, carregando as pulgas que transmitiam a peste bubônica.



Foram falecidos por volta de setenta e cinco milhões de homens, mulheres e garotas, um terço da população da época. Uma tragédia que poderia ter sido atenuada se não tivessem sido atirados tantos paus nos gatos medievais. Aquela era de trevas era um tanto estranha para bichos que começaram tua história como deuses.



No Egito antigo, quatro mil anos atrás, eles eram a representação viva da deusa Bastet, símbolo da fertilidade. Foram localizados mais de 300 1 mil felinos perfeitamente mumificados - vários deles enterrados em espaço de honra, ao lado da múmia de faraós. Gatinhos com a aparência do mau-egípcio e do abissínio - raças que lembram as mais antigas - aparecem em esculturas e pinturas rupestres, por vezes carregados de adornos e joias.



Foi ali perto que, há pelo menos nove 1000 anos, antes mesmo da invenção da roda e da escrita, surgiam os primeiros laços afetivos entre homens e gatos. Na localidade entre Israel e Iraque conhecida como Crescente Fértil, se estabeleceram os primeiros povoados. Pra deixarem de ser nômades, essas aldeias precisaram começar a cultivar e dessa maneira estocar comida, principalmente cereais. E a livrá-la dos ratos.




  • 02 "Tá Morto...ou não tá?" Novembro de 1996

  • É verdade que certas raças não conseguem ser tosadas que existe o risco de não nascer

  • Úlceras em cães

  • Adapta-se ao gelado: 2



É aí que entram os gatos. Os gatos selvagens africanos (Felis silvestris catus) que conseguiam se aproximar dos homens sem pânico conseguiam mais comida e se reproduziam mais. Nascia desse jeito a maneira doméstica do animal, chamada cientificamente de Felis silvestris libyca. Esse animal, mais dócil, se espalhou pelo mundo a bordo de navios mercantes e expedições colonizadoras. Encantou monges budistas no Japão e bárbaros vikings. Em numerosos desses lugares, o gato foi bem mais que um animal doméstico. Obteve status divino, símbolo de bacana sorte ou representante das trevas.



Realmente, está comprovado que eles executam bem aos seres humanos. Só que vivos. "Estudos recentes comprovam que afagar um animal doméstico, como o gato, abaixa a pressão arterial, o que faz com que eles sejam recomendados como uma companhia para hipertensos", reitera o veterinário Archivaldo Reche. O misticismo em torno dos gatos não é coisa do passado. Ainda hoje há quem acredite que eles possam prever o futuro.



Um estudo da Escola de Veterinária de Azabu, no Japão, investiga se gatos domésticos conseguem prever terremotos.is?Qchj6m6TGpHU-N7iyxUJhTZ2hSfHjTQVhUGDNlZxm6w&height=193 Os pesquisadores suspeitam que os animais conseguem detectar ondas eletromagnéticas de tremores por intermédio do grau 6 da Escala Richter, pouco tempo antes de os humanos sentirem a terra tremer. Neste instante só precisam descobrir como exatamente eles exercem isso. Nos EUA, em 2007, um gatinho teoricamente comum intrigou a comunidade médica. Oscar tinha um dom: prever a morte dos pacientes com doenças degenerativas da clínica Steere House, onde vive. A todo o momento que visitava um dos internos, a família era informada que o pior estava por vir.



Segundo seus cuidadores, foram nada menos que cinquenta acertos. Diversas das raças ancestrais foram extintas, entretanto criadores conseguiram reproduzir e resguardar várias fazendo cruzamentos com novas raças - e só deste jeito algumas delas foram registradas. Hoje a maior quantidade dos gatos de avenida do Japão tem o rabo curto. Diz a lenda que foi pelo motivo de um decreto no século dezessete que obrigou os japoneses a soltarem seus gatos.



O pretexto: acrescentar a população de gatos de rodovia pra combater roedores que matavam o bicho-da-seda. Aparece no Tamra Maew, Livro de Poemas do Gato, escrito possivelmente entre os anos 1350 e 1767. No manuscrito ilustrado tailandês, o korat ganhava destaque por suas cores intrigantes. Um gato muito idêntico com ele figurava em pinturas egípcias, o que sugere que a raça existe há milhares de anos. Seus registros oficiais começam no século 19, quando foi levado da Abissínia (hoje Etiópia ) pro Reino Unido.