Safári De Onças Une Turismo E Preservação


Logo você receberá os melhores conteúdos em seu e-mail. Era final da tarde de domingo. Recebemos pelo rádio a dica de que uma onça se alimentava não muito afastado. Um grupo de 11 pessoas, que reunia pesquisadores, ambientalistas e jornalistas, subiu numa caminhonete aberta adaptada ao safári, e rumamos pra lá. À beira da rua, onde uma vegetação florestada mais alta cobria um baixo riacho, a onça havia se entocado pra pescar.



Os guias que passaram a dica tinham conseguido vê-la antes de ela se encobrir. Nós só conseguíamos ouvi-la. Um som seco, da espinha do peixe se fragmentando. E a perspectiva de que ela poderia se irritar com a nossa intromissão pela hora de sua refeição. O motorista decidiu contornar a matinha pra tentar vê-la por trás.







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Porém acabamos atolados em um alagado, a apenas alguns metros de uma onça. No tempo em que esperávamos o resgate, a tensão aumentava pela mesma proporção em que éramos atacados por mosquitos. Será que descemos pra empurrar o automóvel? Na cabeça, a lembrança da palestra era uma tentativa de procurar alguma racionalidade: uma onça duvidosamente ataca o gado quando o grupo é grande, prefere animais sozinhos. O risco e o interesse não valem a pena.



Além do mais, fizemos uma barulheira com o motor ao tentarmos desatolar. Contudo e outros animais? Pela água não haveria jacarés? Escurecia e outras imagem vinham à mente, a de duas camisetas à venda pela lojinha da fazenda: "Uma onça me viu" e "Eu doei sangue pelo Pantanal", em razão de os mosquitos seguiam implacáveis.



Ao sermos finalmente rebocados, descobrimos que a onça continuava ali. Voltamos à avenida e paramos o veículo. Desta vez, ela estava muito mais perto, à beira da rua. Imponente, nos lançou um olhar desinteressado e atravessou tranquilamente a rua na nossa frente. Entrou no campo do outro lado e seguiu seu caminho.



Ficamos investigando, perplexos, até ela desaparecer. Vasto mãe’. Soubemos depois que aquela era Expectativa. E uma bacana notícia. Dava pra perceber, pelo abdome flácido e mamas puxadas, que ela tinha acabado de ter filhote. Esperança é considerada a "grande mãe" do projeto. Até desta forma se sabia que ela tinha tido, desde 2011, sete filhos e cinco netos. Ela ainda não descreveu o novo filhote (ou novos).



No decorrer desse tempo, o projeto agora identificou oitenta e três onças diferentes na Caiman, e fez descobertas essenciais sobre a espécie. Ao oposto do que se imaginava, o animal não é exclusivamente noturno, todavia tem atividade também durante o dia. Outra crença desfeita é de que são animais que vivem sempre isolados. De acordo com a bióloga Lilian Rampim, coordenadora do projeto, com armadilhas fotográficas se viu uma carcaça de gado ser compartilhada por quatro animais diferentes, duas fêmeas com seus filhotes.



Até já a percepção a respeito de risco ao gado está sendo modificada. Na Caiman, onde fica a apoio do Onçafari, a perda de gado pra onça oscila entre 1% a 1 e meio por cento ao ano. É um animal oportunista. Se uma vaca doente é deixada sozinha no pasto, é uma presa descomplicado, a onça vai segurar e terá comida por três dias.



Muito fazendeiro utiliza isso como desculpa para matar onças, todavia às vezes ele abandonou a vaca ali", conta Lilian. Segundo os pesquisadores, há soluções, como colocar no meio do gado animais maiores, com chifres, que irão assustar o felino. Contudo a melhor saída é preservar a vida selvagem. Deixando os outros animais dos quais ela se alimenta vivos, ela não tem por que tocar o gado", diz.