Pela Bola E Pela Resenha: Uma Tarde De Basquete Feminino Em São Bernardo

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São Bernardo do Campo, 0h22 de uma terça-feira. A carioca Thayná, vinte e dois anos, pega o smartphone e explana pela web a aflição do instante: "Preguiça de levantar e fazer pipoca". A poucos metros dali, em outro apartamento, a paulista Lays, dezenove anos, rebate pela hora com um "Eu quero". Quinze minutos depois, a confirmação de que a fome ganhou a moleza: "Saiu, vem comer".



Tirando Julia, que acaba de fazer trinta anos, e Thayná, que acaba de fazer vinte e dois, ninguém tem mais de vinte. O mundo inteiro com idade pra ser neta de Marcio Bellicieri. Aos 65, o técnico comanda a equipe que começou o campeonato com duas derrotas, porém imediatamente ganhou duas seguidas e, às 20h dessa segunda-feira, recebe o invicto Blumenau. Estes óculos são do vô? Lays, apontando para uma mesa à beira da quadra no ginásio Ubaldo Lago, que fica no Crec Baetinha, um complexo esportivo da Prefeitura aberto à população de São Bernardo. O papo rolou pela quarta-feira da última semana, e as estatísticas são meio imprecisas: 28 minutos de duração e uma média de trinta e sete risadas para cada uma. O máximo que as 3 conseguiram continuar importantes ao mesmo tempo foi 1min26 - recorde absoluto para um trio que não economiza gargalhada.



A descontração assim como invade o treino puxado, de quase três horas. Nas duas primeiras, Lays é a mais animada, ri o tempo todo, zoa o mundo inteiro. Contudo bem como lidera. Orienta as companheiras, explica os exercícios, discute as jogadas, dialoga com Marcio e com a assistente Edneia Fernandes. Trabalha feito gente amplo.



Estamos jogando contra crianças mais velhas, pegamos experiência, todavia embora sejamos um time novo, não tem essa. Na porção desfecho do treinamento, uma substituição que ninguém imaginava: sai a alegria, entra um baita susto. Pela luta de um rebote, Thayná pisa no pé da pivô Lorena e torce o tornozelo justo. Ferrou. O choro da ala, caída no chão, reduz o silêncio nervoso que preenche o ginásio. É tipo um pesadelo.



É a gaúcha Soso que carrega a amiga no colo até o banco, e entra em ação a fisioterapeuta Ariane Lopes. Quem mais absorve a bronca é Lays, que fecha a cara e, enfezada, passa a distribuir uns passes incríveis pela última meia hora de treino. Na beira da quadra, o milagre de Ariane se materializa em poucos minutos.





    • Não é 4G e nem sequer tem Televisão


    • Matheus argumentou: 31/01/12 ás 17:21


    • 79 25 "O Encantador de Zumbis" vinte e um de outubro de 2015


    • 09 "A Nova Babá" vince e seis de julho de 2009


    • Representantes do governo estadual e municipal


    • Daniel jesus da silva comentou: 01/02/12 ás 20:Trinta e sete


    • No banheiro





Tira tênis, tira meia, mexe o pé pra cá, mexe o pé pra lá, e pronto. O choro de Thayná seca, o sorriso volta, não era nada crítico. Isopor de gelo, botinha de esparadrapo, e a preparadora física Thaís Monteiro neste instante sabia que a ala jogaria contra Ituano, dois dias depois.



De fato jogou. Foi mal nos arremessos, com 4/dezenove, contudo deixou 11 pontos, 10 rebotes e três assistências pela vitória fora da residência. Quem vê os bons números, as passadas largas e a facilidade para realizar bandejas com braços gigantes não imagina como foi o último ano de Thayná no Rio de Janeiro. Ela saiu da Mangueira em 2016 e ficou 2017 inteiro afastada do basquete profissional.