O Que Isto Ou seja?
Logo você receberá os melhores conteúdos em seu e-mail. Nessa data de férias, é comum encontrarmos pessoas que dizem ter adorado andar em cidades fora do Brasil, apesar de nunca fazerem isso aqui. Os relatos das viagens no Facebook, no Instagram são eloquentes: "andamos trinta quarteirões a 10 graus negativos em Nova York" ou "delícia passear por essa cidade tão limpinha e parar num café pela calçada".
Sinalização de via em Londres. Essa é uma dúvida intrigante: as pessoas adoram caminhar a pé. Contudo não em São Paulo. O acontecimento é que nós prontamente vivemos numa cidade onde a maior parte das pessoas faz suas coisas a pé e não nos damos conta disso. Sim, o percentual de pessoas que andam a pé em São Paulo é superior do que em Londres, ou Nova York ou Paris.
Em São Paulo, não custa relembrar, mais de um terço dos deslocamentos diários são feitos a pé - são meninas que andam até a universidade, adultos que fazem compras, gente que vai trabalhar a pé. Outro terço dos deslocamentos envolve qualquer tipo de caminhada, até o ponto de ônibus ou o trem, a título de exemplo.
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- vince e seis/09/2017 17h28 Atualizado 26/09/2017 18h46
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Ao menos 2 terços de todos os deslocamentos cotidianos da cidade são feitos a pé, muito mais do que nessas outras cidades. Ou melhor, nós de imediato moramos em uma cidade em que as pessoas andam a pé. Somos milhões de pedestres e não valorizamos isso. Há ruas com árvores que dão sensacional sombra, há ruas seguras, há lojinhas simpáticas em qualquer ambiente e há sempre alguma coisa acontecendo que pode nos interessar. Há, mais que tudo, milhões de pessoas andando pra cá e para lá. O que isto ou seja?
Que os mais ricos andam a metade do que os mais pobres. Parece normal e até razoável. No entanto talvez não seja. No fim de contas, as pessoas mais ricas tendem a morar em áreas mais centrais, mais bem servidas por metrô, mais confortáveis de andar a pé, muitas vezes razoavelmente perto de seus empregos. Afinal, em uma hora de caminhada, conseguimos fazer uns quatro quilômetros sem muito vigor. Deste jeito, por que os mais ricos não andam mais que as mais pobres e não menos?
Acho que a primeira desculpa é o preconceito contra o transporte público. Algumas pessoas dizem que o transporte não é bom e algumas vezes é mesmo, entretanto uma procura do Nossa São Paulo mostrou que a avaliação sobre isto os ônibus piora entre os que nunca andaram de ônibus. Você agora necessita ter ouvido isso: "quando o transporte aperfeiçoar, eu ando de ônibus", no entanto o que muita gente está comentando é: "eu não vou caminhar de ônibus nunca, e não irei nem ao menos testar".
Outra justificativa para andarmos menos: "no Brasil, inexistência segurança". Sim, é verdade, inexistência mesmo. Porém caminhar de veículo pode não ser bem mais seguro do que andar a pé ou de transporte publico e a segurança se intensifica quando há mais pessoas nas ruas. A charada, portanto, parece ser cultural. Quem tem dinheiro, vai de veículo.
Percorrer a pé a todo o momento foi visto como algo relegado a quem não conseguia adquirir seu automóvel, daí até o significado da frase "pedestre" - rasteiro, desimportante. No entanto isto está mudando, no todo o mundo. Gente com muito dinheiro escolhe comparecer a pé ou de bicicleta. No Brasil, há alguns segmentos que parecem mais refratários à transformação.
Um deles é o dos políticos e pessoas com funções públicas - os juízes, os prefeitos, os vereadores, os secretários, os funcionários graduados da administração municipal e estadual, que ainda têm no veículo com motorista um sinal de seu status. Ou seja, quem faz as leis, quem administra as calçadas, quem fiscaliza o implemento da interessante educação no trânsito de um jeito geral não se coloca na posição de quem anda. E isto faz com que a cidade fique de fora desta visão mundial.
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