No Instante, Esperanças São Menores Do Que Preocupações, Diz Caetano

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Caetano Veloso está de volta à cena. Moreno, Zeca e Tom. Porém não é só: o compositor tem participado plataforma elevatória https://www.grupoapc.com.br/plataformas-articuladas/ de campanhas nas redes sociais e há pouco tempo reagiu às investidas de grupos ultraconservadores contra exposições de arte e museus, o que lhe rendeu bombardeio cerrado de críticos e oponentes. Caetano, setenta e cinco, está acostumado a ser centro de ataques. Na entrevista que se segue, ele comenta o livro, o show e a situação política do Brasil.



Diz que tudo lhe parece "muito complexo" e diz que "no instante as preocupações são maiores do que as esperanças". Sem jamais ter sido petista, diz que viu na deflagração da Operação Lava Jato "muita cara de neolacerdismo" e uma tentativa de "desfazer o PT". Fala sobre a nova direita em cena, sobre o assunto os riscos de uma polarização eleitoral com o deputado Jair Bolsonaro, e declara apoio ao pré-candidato Ciro Gomes (PDT). Folha - É evidente o fascínio de Roberto Schwarz, um crítico marxista, por "Verdade Tropical".



No entanto, num artigo em que ele elogia o livro, faz assim como restrições a atitudes político-ideológicas tuas que deplora e até ridiculariza. Como você assimilou esse texto? Caetano Veloso - Como conto na nova introdução ao livro, o interesse literário de Schwarz me envaidece. O julgamento político-ideológico me desagrada intelectual e pessoalmente. Acho que ele até valoriza muito mais o livro literariamente do que o realizam outros intelectuais menos presos ao marxismo. Bem, até hoje não tenho dúvida que deveríamos ter feito uma reforma agrária e não sei que fosse me arrepender de aplicar o processo Paulo Freire nas escolas do interior.



No entanto nossa história foi outra. E, acompanhando-a, aprendi que as revoluções comunistas davam em tiranias. Assim sendo, a má vontade de Schwarz com o episódio da prisão é parelho à maneira de Augusto Boal contra o tropicalismo. Ele cai na esquerda tradicional e fica parecendo que não entende ler. Você tinha um capítulo que ficou fora aluguel de plataforma elevatória "Verdade Tropical" que seria sobre isso sexo.



Por que foi excluído? Escrevi um texto bastante enorme que seria um episódio chamado "Sexos". Ele não caberia em "Verdade Tropical". As observações consideráveis estão no organismo do livro original. As anedotas e divagações, não. A Companhia das Letras propôs que publicássemos o episódio, mesmo que lá estejam repetidas as conclusões mais relevantes que agora são divisão do livro. Até mesmo alguns parágrafos inteiros. Seria interessado. E quem sabe agradável, visto que a escrita é sensacional.







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Naquela época eu escrevia com muita vivacidade -e o conteúdo é meu favorito. Entretanto há razões pessoais pra que eu evite mexer com coisas que podem desabar mal sobre isso certas pessoas que, mesmo quando não nomeadas, se reconheceriam de um modo que me levaria a notar-me mal. Você visitou a mostra de Hélio Oiticica no Whitney, em Nova York, que é mais um reconhecimento da potência cultural de sua geração. O tropicalismo é hoje fonte em círculos internacionais sofisticados. Um espiar em retrospectiva não deixa indecisão de que estávamos não só em sintonia com o que acontecia no universo nos anos 1960/1970, todavia em alguns casos pela vanguarda mesmo.



De onde vem essa força? É uma potência estranha do Brasil. A apresentação de Hélio no Whitney -como essa de a de Lygia Pape no Metropolitan- é uma mostra disso. Esses artistas estavam na vanguarda mundial. É muito bom reflexionar que a arte brasileira esteja sofrendo, no Brasil, ataques malucos. A arte concreta brasileira, a poesia concreta e o neoconcretismo carioca (principalmente quando ele sai do quadro e vira local, roupa, evento) são experiências radicais que colocam o Brasil em ambiente especial.



Eu, pessoalmente, me sinto enormemente orgulhoso de estar perto de todos esses acontecimentos que fazem o Brasil ser reconhecido como um território de robusto experimentação. Você sempre insistiu pela tese, até direito ponto voluntarista, de que o Brasil tem a probabilidade dar ao mundo uma cooperação civilizatória original. Como você colocaria essa questão à luminosidade desta queda de grandes proporções que estamos vivendo?



No momento as preocupações são maiores do que as esperanças. O acontecimento é que não basta o Brasil ser original: precisa de funcionar. Agora temos alguma experiência disso. Por episódicas que sejam. Necessitamos desenvolver condições pra que a energia criativa do público brasileiro visualize seu leito e o ritmo de tua correnteza. Caso você gostou deste postagem e gostaria receber maiores informações a respeito do assunto relativo, encontre por este hiperlink Link Site mais detalhes, é uma página de onde inspirei boa quantidade dessas sugestões. Uma crise poderá ser uma oportunidade. Desejaria que mais gente que pensa e escreve captasse melhor as informações de Roberto Mangabeira Unger. Mangabeira fez foi deixar o ministério e que só quem dava credibilidade a ele era o cantor Caetano Veloso.



O Brasil deveria poder criar algo novo. Eu pagaria pra ver o que Mangabeira considera um paradigma de nação correto e original que não seja nem ao menos uma Suécia tropical nem uma China com menos gente. Vivemos a desilusão com o socialismo real e devemos saber viver a desilusão com o liberalismo real. Sem perder o significado essencial desses projetos. A China é um desafio ao modelo liberal-democrata. E as democracias liberais estão se corroendo por dentro. Mas os princípios liberais e socialistas, que são, para Mangabeira, a face profana do cristianismo, têm valor intrínseco pra mim. Você tem mostrado a cara para protestar e tem participado de conversas sobre nosso futuro político.



Como você vê a deposição da presidente Dilma, os desdobramentos que se seguiram e as experctativas para 2018? Com quem você está? Tudo me parece muito complexo. Eu não era fã de Dilma como política. Ela mostrou não ter muito talento para essa atividade. Nunca fui petista. Lula é uma grande figura histórica, aconteça o que ocorrer com ele. Sinceramente, encontrei o tempo de Palocci com Lula o melhor do PT no poder, todavia não me surpreenderam as revelações de corrupção.



Quem sabe pela própria pinta de Palocci. Entretanto a Lava Jato tinha muita cara de neolacerdismo. Você desde o início foi contra o impeachment? Fui contra o impeachment. Eu estava em São Paulo, no hotel Emiliano, no momento em que o telefonema de Dilma, aquele do "Bessias", era anunciado pelo "Jornal Nacional". Eu tinha saído com o intuito de adquirir algo na farmácia e, ao regressar, vi as ruas cheias de gente gritando.