Ler Borges é Ler Uma Infinidade De Autores', Diz Jorge Schwartz

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Logo você receberá os melhores conteúdos em seu e-mail. Temos de diferenciar aquilo que ele Borges lia daquilo que nós lemos. Isto é, sim, talvez a fruição da leitura em Borges, como ele a todo o momento afirmara, fosse maior que a da escrita. Entretanto pode ser que seja mais uma boutade. Em todo caso, pra um sistema em que a literatura se alimenta da literatura (isso neste instante começa com Dom Quixote), não teria sido possível produzir o que ele criou sem as tuas leituras. Ler Borges é ler também uma infinidade de autores e fontes, que o Borges Babilônico tenta cobrir, mesmo que possa ser parcialmente.



Daí, estamos dizendo, pela leitura, esse mundo literário por excelência. O tango era um gênero que o fascinava, principlamente por ser a porta de entrada da Buenos Aires dos bairros pobres e violentos. Contudo Borges rua com descrédito Carlos Gardel. Seria então que não existe um verbete para este famoso cantor? Gardel está mencionado em verbetes respeitáveis, como "tango" e a respeito do poeta "Contursi, Pascoal". Os verbetes escolhidos no Borges Babilônico partem do corpus vocabular das Obras Completas em Quatro Volumes, em que o nome de Gardel não é mencionado uma única vez.



Daí a exclusão. De cada maneira, a pergunta me leva aos 2 excelentes verbetes mencionadosno início desta resposta, elaborados em profundidade pelo Prof. Julio Schvartzman. Sim, o tango fascinava Borges, todavia era aquele que estava no âmago de sua construção nas margens e nos arrabaldes do final de século 19. Um fenômeno primeiramente rural, em que era dançado por homens bem como na rua. O imaginário do tango evolui pras regiões urbanas e do centro da cidade de Buenos Aires, que é quando Gardel o converte em um componente clássico da identidade da Argentina.




  • 2 Classificação 2.1 Subespécies

  • Esfregar as pontas dos dardos

  • 2 Do Contra

  • Procure deixar a vacinação em dia antes da época mais fria do ano

  • Gostam de meninas e companhia

  • 139 Re: Impróprio

  • Por que espécies que têm o mesmo nicho não ocupam o mesmo habitat

  • Utilizar em maquetaria



Borges a toda a hora teve o tango presente, todavia não desta forma a figura de Gardel. Cabe lembrar que o tango foi assim como moda em Paris, em que alguns argentinos inclusive o ensinavam a dançar. O afeto ocupou tal lugar na sua existência, contudo ocupa insuficiente em sua obra. Seria isso que explicaria as poucas referências ao afeto nos verbetes?



Uma pergunta delicada. Sim, Borges viveu enamorado durante praticamente toda a tua existência. A última paixão, sua viúva María Kodama, e que merece um verbete no dicionário. A pergunta é pertinente. O único conto em que o carinho entre um homem e uma mulher se realiza é Ulrica (O Livro de Areia). O contrário é a visão nunca positiva a respeito de das mulheres. Beatriz Viterbo (observar verbete), em El Aleph (O Aleph), é o estereótipo de la belle dame sans merci, e Emma Zunz são heroínas negativas em que o carinho não se executa.



No conto A Intrusa (O Informe de Brodie), o amor de 2 irmãos na heroína os leva ao seu sacrifício. Quando digo que tua pergunta é delicada, é algo de caráter pessoal e íntimo, relatado de modo metafórica em A Seita da Fênix (Ficções). Por este conto, a protagonista central, que poderia ser Borges, parece ter sido excluído dos rituais atribuídos à reprodução da espécie.



Uma das frases mais inesquecíveis acha-se no conto Tlön Uqbar Orbis Tertius (Ficções): "os espelhos e a cópula são abomináveis por causa de multiplicam o número dos homens". Devido a da dificuldade de visão, é possível relatar que, para Borges, o que realmente importava eram as sensações? Mais do que as sensações, fundamental para cada escritor, acho que o mais relevante em Borges era a prodigiosa memória: das inúmeras literaturas, das múltiplas histórias, de alguns registros vivenciados.