Está Ronronando. ótimo, Não é Mesmo?
Você está curtindo um período de relax após um dia de trabalho especificamente estafante. Acomoda-se no sofá pra ler a Super, e - olhe só que coincidência - teu gato aproveita pra usá-lo como almofada, enrodilhando-se preguiçosamente sobre o assunto seu colo. Não demora muito, o bichano começa a gerar um ruído baixo e regular, acompanhado de uma certa vibração, como se acionasse um motorzinho secreto.
Está ronronando. Excelente, não é mesmo? Um daqueles prazeres exclusivos que só os elurófilos (aficionados por gatos) conhecem. O que você talvez não saiba é que aí no seu colo está um mistério científico. Ninguém sabe qual a função exata do ronrom. Ao contrário do que imagina a maioria das pessoas, inclusive aquelas que têm experiência com gatos, este simpático ruído nem sempre é uma expressão de entusiasmo. Gatos que se localizam em situações de estresse ou que estão sofrendo uma dor forte assim como ronronam. Quando estão com agonia, eles parecem utilizar este ruído relaxante como uma espécie de mantra", diz o veterinário João Telhado Pereira, da Instituição Federal Rural do Rio de Janeiro, especialista em jeito animal.
De toda maneira, pela situação em que você foi introduzido no início da matéria - uma ocorrência hipotética, claro, contudo nem ao menos desta forma menos confortável -, fornece para supor que seu gato está tranqüilo e alegre, sem agonia ou estresse. Neste momento, largue a revista por uma etapa e tente designar de onde vem o estrondo. Você vai ter alternadamente a impressão de que o ronrom vem do nariz, ou da garganta, ou do peito do gato. Porque é outro mistério: ninguém sabe como os gatos ronronam.
Os cientistas só têm conjecturas: o ruído seria produzido pela passagem de ar nos brônquios, ou por certos vasos do coração. Gatos são mesmo fascinantes. Não é por nada que eles acumularam tantas lendas e equívocos ao teu redor. É o caso, tendo como exemplo, do dito popular de acordo com o qual os gatos têm sete vidas. Felinos dos EUA e da Inglaterra são ainda mais sortudos: em inglês, dizem que eles têm 9 vidas. Parece ser uma crença bem antiga - neste instante aparece em um diálogo de Romeu e Julieta, peça de Shakespeare escrita no término do século XVI. Menos auspiciosa é a idéia, infelizmente ainda muito generalizada, de que o gato não é camarada do dono, mas da casa.
Precisa ter sido invenção nesse pessoal que gosta só de cachorro. A oposição entre cães e gatos, mas, é formação humana. Eles não são inimigos naturais e conseguem conviver super bem sob o mesmo teto. Gatos e cachorros, é verdade, relacionam-se com o dono de modos diferentes. Os cães são animais gregários.
Seus equivalentes selvagens, os lobos, vivem e caçam em grupo. Em circunstância doméstica, o cão tende a ver de perto o dono como uma espécie de chefe da matilha. Os gatos, ao oposto, são individualistas. Os felinos, na sua maioria, caçam sozinhos - a exceção célebre é o leão. Isso conduz a formas diferentes de socialização com os humanos.
Nós somos visitantes no espaço deles. Eu moro na residência dos meus gatos", reconhece Luiz Paulo Faccioli, juiz internacional de concursos de gato promovidos pela TICA (sigla em inglês para Agregação Internacional de Gatos). Isso não significa que eles devam mandar na moradia. É o que ensina o treinador Bash Dibra, em CatSpeak (ainda inédito no Brasil). O título podes ser traduzido livremente como "A língua dos gatos", o que resume bem o espírito do livro, espécie de manual de auto-auxílio para donos de gato. Dibra, que acumulou vasta experiência com lulus e bichanos - sua clientela acrescenta os animais de estimação de celebridades como Jennifer Lopez e Kim Basinger -, revela inclusive outras técnicas básicas pra aconselhar truques ao teu animal.
É menos difícil ensinar um cachorro", diz o autor. Todavia isto não isto é, como vários pensam, que os gatos não sejam capazes nem mesmo de atender quando chamados pelo nome. É preciso só conhecer a abordagem correta. Com o cachorro, você manda que ele faça algo. Com o gato, você pede", reitera Dibra.
CatSpeak traz um episódio dedicado à intercomunicação felina, com uma espécie de dicionário de sons e posturas corporais. Alguns dos "verbetes" são de conhecimento comum. Se um gato arreganha seus dentes, eriça o pêlo e emite um ruído pequeno e ameaçador, não é preciso ser especialista em felídeos pra saber que ele não está de bom humor.
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Mas e se o gato de repente salta para perto da janela, mira fixamente um ponto na avenida e começa a fazer um som trêmulo, entrecortado, que lembra, de distante, uma metralhadora rouca - você saberia contar o que houve? Dibra mata a charada: esse é o ruído que o gato faz quando vê uma caça potencial que está fora do teu alcance.
Muito eventualmente, ele vislumbrou um passarinho ou uma borboleta voando lá fora. O mais entusiasmado é que grande fração das emissões sonoras dos gatos são dirigidas a nós, donos de um felino. É o que comprova um recente experimento de psicologia evolutiva feito por Nicholas Nicastro, pesquisador da Universidade de Cornell, EUA.
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