Entre Sapos E Cobras: A Existência Noturna Dos Animais


No momento em que a noite cai, centenas de sapos iniciam teu costumeiro e ensurdecedor coro na lagoa de uma floresta. Silenciosamente alguns morcegos se aproximam. Os sapos, desse modo, param de coaxar. Os morcegos hesitam alguns instantes e depois vão apesar de. Tão logo a sinfonia recomeça, os morcegos voltam. De repente, um deles solta um guincho e arremete contra a água.



Ao voltar, traz pela boca um sapo. Essa cena, incomum aos olhos humanos, foi registrada pelo zoólogo americano Merlin D. Tuttle, numa estação de procura da Smithsonian Institution, no Panamá, graças a uma lente infravermelha que permitiu que ele enxergasse em plena escuridão. Os sapos são, eventualmente, os mais barulhentos representantes das diversas maneiras de vida que se distinguem por preferir a noite ao dia. Dessa forma que escurece, coaxam pra chamar as fêmeas e os outros companheiros.



Cada espécie tem um jeito respectivo de fazê-lo - e, o que é ainda mais característico, uma hora certa pra se revelar. O anoitecer é assim como quando eles saem pra caçar insetos e são caçados por outros bichos, seus parceiros de boêmia, como os morcegos. O Trachops cirrhosus fotografado por Tuttle é uma espécie que tem nos sapos seu alimento preferido. Mamíferos, os morcegos são famosos por tua excepcional adaptação à escassa claridade noturna.



Como se compreende, eles possuem uma espécie de radar sonoro embutidos que lhes permite descobrir obstáculos pelo retorno das ondas curtas que emitem quando guincham, estalando a língua. Ao colidir com qualquer coisa, a onda sonora é refletida em maneira de ecos, que por desta maneira contar balizam a rota entre o morcego e o estorvo. Os morcegos conseguem emitir até trezentos ondas por segundo; quando essas retornam, são captadas pelas enormes orelhas e por um sensibilíssimo receptor no cérebro.



Sendo assim, eles podem caçar na mais negra das noites. Esses animais obviamente figuram entre os seres mais detestados e temidos pelo homem - o que, segundo os especialistas, é uma rematada asneira. A eles se relacionam toda sorte de histórias macabras. O que talvez se explique pelo acontecimento de se tratar de animais de pelagem escura que durante o dia se escondem em cavernas e à noite saem guinchando por aí. O cinema herdou da literatura de terror, inspirada em lendas medievais, a imagem do morcego como repugnante monstro. Ao contrário das lendas, a sua circunstância de insetívoros os torna aliados dos humanos, já que é sabido que os insetos são os maiores concorrentes do homem pela face de Terra. De fato, do milhão e meio de espécies que circulam na superfície do planeta, mais da metade mais um menos é constituída de insetos.







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Nesse impressionante e misterioso mundo noturno, os seres humanos estão virtualmente excluídos. Quando se aventuram em uma floresta escura só são capazes de ouvir qualquer coisa, como o pio das corujas, o coaxar dos sapos, o cricrilar dos grilos ou os esturros de uma onça. Ver, dessa maneira, nem sequer se fala. É que os diurnos humanos não possuem os instrumentos corporais necessários para se movimentar pela ausência da claridade; desta forma, dependem quase exclusivamente dos olhos, que funcionam à base de impulsos luminosos. Prontamente os animais se valem de outras maneiras de investigação do recinto, como cheirar, tatear, ouvir e degustar.



No homem esses atributos são precariamente desenvolvidos, se comparados aos bichos da noite. Assim como o sistema auditivo humano é inapto para captar os sons da noite. O mesmo começo permite monitorar à distância o pulso, a freqüência respiratória e a temperatura corporal dos habitantes da noite. Assim como as lentes infravermelhas, como as utilizadas pelo zoólogo Tuttle para a imagem do ataque do morcego ao sapo, são valiosos instrumentos no estudo do modo da fauna noturna. Porém, afinal, o que levou alguns animais a se adaptarem à existência noturna e outros à diurna?



Segundo o biomédico Luiz Menna Barreto, da USP, "as condições ambientais, mesmo que tendam a ser as mesmas pra todos os seres vivos, acabam por influenciá-los de formas diferentes". As primeiras são de natureza genética e consistem no conjunto de características que um animal desenvolve. Ele poderá ter, tendo como exemplo, um olfato excepcional, entretanto se conduzir mal pela luz.



Pra um bicho sendo assim, as probabilidades de sobrevivência são maiores à noite. Agora as pressões externas são representadas pelos predadores - para fugir de seus inimigos mais fortes, alguns animais esperam que eles durmam, para só em vista disso começar a viver. É por essa desculpa que animais de hábitos diferentes são capazes de conviver no mesmo nocho ecológico, contudo em turnos diferentes. Um ótimo exemplo da intervenção das pressões internas e externas é o dos atuais mamíferos.