Em Busca Do Tempo Perdido
O tempo é a matéria-prima da minha profissão. Nada mais fazemos senão verificar os homens no passado. O tempo paira sobre isso todos os seres, inclusive inanimados. A passagem do tempo é real. Os calendários são construções subjetivas de diálogos humanos com as colheitas, a astronomia, as religiões e as demandas do mercado. O fluir incessante medido em séculos ou segundos é algo inevitável para nós. Fala-se em relatividade de tempo e de espaço, cogitam-se equações quânticas (metáfora atual pra tudo aquilo que eu almejo mostrar e que não sei), porém, afirmo, atrás da maioria dos historiadores como eu, há uma solene incapacidade com números. Sim, dominar parte do que aconteceu no passado vem acompanhado, com periodicidade, de dificuldades com a tabuada do oito.
Volto ao tempo. Um ex-presidente do Uruguai (acessível localizar, é aquele honesto, pronto, já você não confunde com ninguém) afirmou, em uma entrevista, uma ideia sábia. Ele lembrou que toda compra que realizamos é uma entrega de tempo para o vendedor. Assim sendo, no momento em que adquiro meu automóvel novo, devo me lembrar que o gasto do veículo à visão ou financiado foi obtido com horas de trabalho.
A compra é a entrega de fração da existência passada para usufruir de um prazer futuro. As compras se repetem até que todo o tempo que eu tenho para ofertar se esgote. Uma das vitórias de correto tipo de marketing é ter convencido milhões de pessoas que transmitir tempo-existência por produtos é bom e envolvente. Z. Bauman declara que lojas são sempre farmácias no nosso mundo: vendem produtos contra angústia, depressão, etc. Compramos pelo motivo de estamos felizes ou lamentosos, gastamos para perder nossa ação como sujeitos e transformar mercadorias e a nós próprios em equipamentos.
- Rabo erguido
- Dicas pra neutralizar os odores dos cachorros
- Cabeça alongada e fina, estreitando em direção à trufa; crânio um tanto plano
- dezesseis/01/2018 12h11 Atualizado dezesseis/01/2018 12h12
- 118 Biografias de políticos
Pro anglo-polonês, a vasto ilusão consumista é a ideia de independência de consumo ou da decisão autônoma de consumo. Somos, assim como, outdoors de marcas nas roupas, nos padrões e hábitos. O cogito cartesiano virou consumo, logo existo. A crônica é sobre o assunto tempo e não sobre consumo. Há uma ideia do dalai-lama, que insiste que gastamos a vida inteira trabalhando muito e perdendo a saúde pra ter dinheiro e, ao término, estamos sem saúde e sem a coisa mais fundamental na existência: o tempo.
Como se perseguíssemos um tempo melhor e que nunca chega e, ao desfecho, no momento em que ocorre, chama-se morte. Logo você receberá os melhores conteúdos em seu e-mail. O suicídio é um tabu forte em religiões monoteístas. Exclui até do cemitério o ser que, de uma vez, corta sua vivência. Como eu neste instante falou em palestras, o único suicídio ético hoje é "matar-se de em tão alto grau trabalhar".
Um ato suicida me lança à condenação eterna e envergonha a família. Divertido, entretanto, como somos tolerantes com os suicídios lentos. Ingestão de gorduras saturadas, falta de atividade física, exibição ao sol sem proteção e novas formas de suicídio parcelado são muito mais toleradas. Um pai de família que sente diante de um prato sobrecarregado de bacons e picanha gorda pode receber aquele olhar da esposa entre censura e carinho: "Como você ama gordura, meu carinho!
Se ele levasse uma arma para a mesa e ameaçasse estourar os miolos, a ação da mulher, eventualmente, seria mais enfática para impedir o fim. Sim, aprendemos a tolerar coisas lentas e a julgar as mais rápidas. Tem êxito como pela experiência (clássica lenda urbana) dos sapos colocados em água quente e que pulam de imediato do recinto deletério. Pelo oposto, se a temperatura inicialmente fria da água fosse elevada em um grau por hora, os anfíbios ali ficariam até a morte.
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