Ele Nunca Foi Comum

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RIO - Ele nunca foi comum, é verdade, porém a crescente ocupação humana em teu habitat, do sul da América Central até o sul da América do Sul, deixou o cachorro-do-mato-vinagre, ou só cachorro-vinagre (Speothos venaticus), ameaçado. A espécie de imediato é rara naturalmente — conta o biólogo Edson Lima, coordenador dos trabalhos de campo do projeto no Mato Grosso. Desta forma, poucos estudos foram feitos a respeito ela. Enorme fração dos fatos que tínhamos foram coletados na análise desses animais em cativeiro. Considerado o mais social dos canídeos brasileiros, o cachorro-vinagre vive em matilhas de em torno de 10 indivíduos, que atuam cooperativamente pra sobrevivência mútua.



Segundo o biólogo, os animais costumam acordar muito cedo, cerca de 5h, e acompanhar o cheiro deixado pelo tatu no regresso à tua toca de madrugada. Começa logo um trabalho árduo, com 3 a quatro indivíduos se revezando dentro da toca do tatu pra arrastá-lo pra fora. Chegamos a lembrar cinco horas de empenho seguido para que o tatu fosse pego, contudo raramente a presa escapa — relata Lima. Agora, surge mais uma das características do robusto posicionamento social destes animais.



Mesmo diante de pouca carne pra tantos cachorros, o que poderia gerar uma enorme confusão, não há conflitos e todos se alimentam ao mesmo tempo. Entre as descobertas que chamaram a atenção está o evento de as matilhas de cachorros-vinagre precisarem de áreas muito grandes pra sobreviverem. O tatu-galinha também é uma espécie bastante seletiva em conexão ao seu habitat — explica. Se por um lado isso facilita o serviço dos cachorros, por outro traz uma pressão ecológica muito forte sobre isso as populações de presas.



Acreditamos que utilizar uma área muito vasto é uma estratégia das matilhas de não pressionar muito essas populações e mantê-las estáveis. Os cachorros-vinagre são muito nômades e ficam somente por volta de 2 meses em cada sítio de caça pra não dizimar tua presa principal. Imediatamente a devastação pelo homem do habitat das duas espécies força as matilhas a viajarem cada vez mais pra acharem suas presas.




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Na região de Nova Xavantina, leste do Mato Grosso, onde o estudo foi conduzido, a maior parte da vegetação natural de Cerrado foi removida pro cultivo de lavouras e pastagens, sobrando menos de 30% de área preservada. Por isso, quase a totalidade das localizações dos animais (95%) foi obtida em regiões conservadas, no momento em que eles estavam em repouso, caçando ou comendo, sempre que pela maioria das localizações em área cultivada eles se moviam mais rápido.



Em virtude da fragmentação de seu habitat, as matilhas têm que passear muito para variarem seus sítios de caça e encontrarem as presas — conta Lima. Se a pressão do desmatamento prosseguir, a tendência é a espécie sumir da região e entrar em extinção, como agora ocorreu em imensas outras áreas de ocorrência no resto do povo.



O desmatamento, mas, não é a única ameaça à sobrevivência dos cachorros-vinagre. De acordo com Lima, a carne de tatu-galinha também é muito apreciada por alguns moradores da região. Eles sabem que a caça é proibida, porém observamos que ainda vai levar longo tempo para essa finalidade parar — lamenta. O defeito é que os cachorros-vinagre mantêm uma ligação de equilíbrio instável com as populações de tatus-galinha e a ação humana podes transportar rapidamente a um colapso total deste sistema.



Além do mais, próximo com o homem vieram animais domésticos, especialmente cães, que atacam os cachorros-vinagre ou pois transmitem para as matilhas inúmeras doenças que as dizimam completamente, entre elas sarna e raiva. Em todos os grupos com os quais trabalhamos, em torno de 50 por cento das perdas foram devido à predação por cachorros domésticos — diz o biólogo.



E as doenças são outro grande problema. Neste momento sabemos que o cachorro-vinagre é bastante sensível à sarna sarcóptica. Possivelmente tinham susto que eles atacassem as criações de galinhas. Mas o cachorro-vinagre é um animal muito arisco e arredio, que foge muito rapidamente diante de qualquer perturbação. Duvido muito que um deles chegaria perto o bastante para atacar um galinheiro.



No estudo, iniciado em 2004, os pesquisadores conseguiram seguir três matilhas que tiveram destinos variados, conta Lima. O primeiro grupo, com um casal e um filhote, logo foi acrescido por mais 4 crias. Monitorados durante 13 meses, todos acabaram morrendo, vítimas de predação ou doenças. Eles já estavam completamente infestados por sarna e foram tratados. O macho alfa, todavia, não resistiu e morreu.