E Com Os Humanos?


Eugenia: o termo é estabelecido pelo dicionário como "ciência do aperfeiçoamento da raça". Lembra os nazistas e a pesquisa de Hitler pela "raça pura" - na visão dele, a ariana. A idéia da eugenia continua sendo praticada no universo, todavia não em humanos. Apesar de diversos deles não gostarem do termo, os criadores de cachorros entendem do riscado.



Eles aperfeiçoam as raças, mantêm as características que gostam e separam, descartam ou castram os indivíduos que não se enquadram no modelo. Imediatamente os criadores de cães têm uma nova ferramenta: testes de DNA. Não mais só pra examinar o pedigree (espécie de certificado de procedência) porém para detectar se um cão tem as características desejáveis, até mesmo antes de nascer. O whippet, raça magricela da categoria dos galgos, usado em corridas caninas, é a primeira cobaia das outras experiências.



Depois de descobrirem pouco tempo atrás qual é o gene que faz o bicho de forma acelerada que outros da mesma raça, os criadores querem construir cães ainda mais velozes. Cogita-se até fazer uma liga própria pros novos cachorros, talvez os primeiros da era dos supercães. E, se a ciência podes ser aplicada na velha arte da formação canina - tal como em outros animais -, por que não na moldagem de indivíduos humanos? Aí é que mora o perigo. Você consegue imaginar um poodle convivendo numa savana próximo de leopardos ou um pit bull guerreando por alimentos com javalis? Se não oferece pra acompanhar isto pela cabeça, existe um fundamento: os cachorros não existiam pela meio ambiente até o homem segurar para gerar alguns lobos mais simpáticos.



Poderá-se expressar que o Canis lupus familiaris - aí inclusas todas as raças - é uma espécie desenhada pelo homem, bem antes do surgimento dos laboratórios ou mesmo de cada ideia científica. Diverge-se sobre a data exata (alguns dizem que foi há 15 000 anos, outros há cem 000), contudo entende-se que em determinado momento os lobos começaram a se aproximar dos nossos antepassados pré-históricos, por ventura na Ásia.



A suposição mais aceita diz que os bichos gostavam de comer a carniça de animais caçados pelos homens. A maioria dos animais se espantava no momento em que uma pessoa chegava perto, entretanto alguns poucos não se incomodavam e começaram a rondar as aglomerações humanas. Foram ficando. Os dóceis eram domesticados, os bravos voltavam à selva.







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De em tal grau cruzar lobos bonzinhos entre si, eles imediatamente nasciam acostumados com o homem, até pelo motivo de eram alimentados e bem tratados. Os cães (que ainda não tinham este nome) montaram uma nova característica, não presente nos lobos: a perícia de interpretar o jeito humano. Tendo um animal dócil nas mãos, o homem colocou-o pra trabalhar, privilegiando o cruzamento entre cães mais úteis, um darwinismo forçado. As raças antigas foram montadas em razão de o homem precisava de alguma função específica. Pra essa finalidade ele foi cruzando animais com as características desejadas", explica Dan Wroblewski, veterinário e criador de São Paulo. Dan cria o border collie, cão que é o resultado do aprimoramento genético desenvolvido ao longo de centenas de anos entre os criadores de gado da Escócia e da Inglaterra.



Os fazendeiros foram cruzando raças diferentes até conseguirem apurar a visão, a agilidade e a pronta obediência a comandos de humanos. Alguns rebanhos na Inglaterra ficam em áreas extensas, de custoso acesso, e só são viáveis em consequência a do cachorro. Ele tem numerosas vantagens: reduz o número de empregados das fazendas, não tem férias e não fica doente", diz o veterinário. Outras raças foram criadas pra caça, para atacar algumas pessoas, fazer companhia ou na claro curiosidade estética e resultaram em animais bastante distintos - alguns de aparência bizarra. Por todo o modo, a mão do homem esteve presente.



Ou você acha que do lobo chegaríamos ao baixo chihuahua sem interferência? Nos dias de hoje, o "aprimoramento" significa gerar cachorros só com as características acordadas, dentro dos padrões definidos pelas associações de criadores. Se sair numa ninhada um cachorro fora da cor normal, ou com um modo atípico, ele não irá cruzar com outros pra não passar adiante um padrão "defeituoso". É preciso que este aprimoramento seja feito dentro de um sistema ético", reconhece Márcia Bertero, criadora paulista que introduziu o pastor australiano no Brasil. Ouço histórias terríveis de criadores que querem um padrão de graça e sacrificam cães que nascem fora disso. Para manter as raças "puras", alguns países e o estado americano da Califórnia têm leis que determinam a castração de animais vendidos a não-criadores.