Conheça As Jururus Histórias Dos Animais Que Moram No Aquário De SP
Jorginho acorda e toma café da manhã à base de frutas, iogurte Activia e ansiolítico antes de confrontar mais um dia em São Paulo. Para driblar a angústia causada pelo casamento de uma escoliose com uma lordose, Bino se submete a sessão semanal de acupuntura, seguida de uma relaxante massagem.
Seriam só mais dois paulistanos estressados, não fossem Jorginho um tamanduá-mirim e Bino um jacaré albino do Pantanal. Os dois residem no número 407 da rua Huet Bacelar, no Ipiranga. É onde fica o Aquário de SP --que, apesar do nome, bem como é homologado pelo Ibama como zoológico e abriga espécies terrestres e aéreas. O espaço existe há 8 anos e reúne trezentos espécies de moradores.
- Nariz curto e largo, com uma quebra centrada entre os olhos
- Outros Cantos - Autor(a): Maria Valéria Rezende - Editora: Companhia das Letras
- Design inovador com a borda Edge
- Os produtos
- noventa e três 08 "Camerando" seis de abril de 2016
- Cesar Grossmann (discussão) 13h54min de 23 de março de 2009 (UTC)
- Desmaios, fragilidade e tontura
De uns tempos pra cá, o tratamento dos animais acrescenta uma terapia chamada de "enriquecimento". Enriquecer a existência de um bicho é preencher teu tempo (e sua cabeça) com brincadeiras e atividades que não o deixem sucumbir à macambuzia. Outros, como os cinco bugios, espécie de macaco conhecida por berrar e jogar fezes, se calam.
Os primatas do aquário nunca gritaram. E o cativeiro é sentença perpétua. Quase todos esses animais não podem regressar à natureza. Caso dos pinguins-de-Magalhães (inconfundíveis do sul do continente) que aportaram em Salvador em 2012 e foram trazidos para São Paulo, quase mortos. Estão bem e começam a botar ovos, contudo não sairão mais de lá.
Defensores dos direitos animais dizem que o cativeiro poderá funcionar como prisão. O aquário defende ter feitio educativo. A sãopaulo conta nas próximas páginas histórias dos migrantes que se mudaram à revelia para a cidade. Tubarão é chamado em turco de peixe-cachorro. O que faz sentido para os seis tubarões-lixa que convivem no aquário. Bolinha, Capixaba, Ellen, Vasto, Abelhinha e Machão estão sendo instruídos por treinadores pra responderem a alguns comandos.
Por ora, obedecem a 3 ordens: "fica", "segue" e "vira". Mas não adianta apresentar. Cada peixão tem uma placa própria usada para atrair as ações. Como recompensa por tarefa cumprida, ganham lula, o petisco predileto do grupo. Quando o prato do dia é o molusco, e o treinador vai alimentar o tubarão-mangona (espécie vizinha no aquário), os lixas pulam na frente. Depois da atividade, os 6 tubarões normalmente se deitam unidos, no fundo do tanque, um sobre o outro. Mas, desde o fim do ano passado, a aglomeração ficou desfalcada. Uma fêmea morreu, vítima de provável infecção intestinal.
Quando um bicho passa dessa pra melhor, sua necropsia é feita pela USP ou num laboratório de análises clínicas contratado para esta finalidade. Foi o que ocorreu com a finada. Teu corpo humano está num freezer da USP esperando pelo biólogo que fará a contagem das vértebras de uma de tuas nadadeiras --deste jeito ficará sabendo a idade exata que viveu. Sempre que isso, seus companheiros seguem vivendo e aprendendo. Uma passageira que estava no voo da TAM que ligou Buenos Aires a São Paulo em dois de novembro de 2011 garante não ter sentido a decolagem nem o pouso.
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