Como Os Animais De fato Enxergam O Mundo
3 andares acima do térreo, a alguns lances de escada de distância, muito antes de você apalpar os bolsos em busca da chave, teu cachorro o aguarda inquieto atrás da porta. Ele entende que você, e não o seu Zé, que recolhe o lixo do prédio todos os dias, está prestes a subir até o terceiro caminhar. Basta botar o primeiro pé dentro de casa para ganhar a saudação calorosa do bichinho. E não importa com quem você esteja.
Se regressar acompanhado com velhos ou novos amigos, ou mesmo com teu irmão gêmeo, que mora no exterior há alguns anos, ele não vai pular nas pernas erradas. Ele domina quem é você. No entanto não entende quem ele é. Coloque um ser humano em frente ao espelho e este animal bípede começa instintivamente a mexer no cabelo (achando que um tapinha na franja realmente vai deixá-lo mais bonito).
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- Joao carlos comentou
- Iluina dos reis tavares citou: 31/01/doze ás 13:Quarenta e dois
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Um cão, mas, consegue ser ainda mais bestial: a reação dele ao espelho é a mais completa apatia. Nem sequer uma olhadinha. Ele não reconhece a própria imagem. E se não reconhece a própria imagem, não tem aquilo que chamamos de consciência, correto? Até pouco tempo atrás, era o que a ciência achava. Animais que reconhecem a própria imagem no espelho teriam consciência - e aí entram essencialmente nós, nossos primos (os grandes macacos - chimpanzé, gorila, orangotango), cetáceos e elefantes.
Os bichos que não se reconhecem não teriam informação de "eu". Mas a verdade possivelmente é outra. O problema não está nos animais que não se reconhecem no espelho. Está em quem testa a presença de consciência perante a ótica humana. O mundo de um cachorro ou de um gato não se cria majoritariamente com imagens, como o nosso. Eles veem com sons e, principalmente, cheiros. E o espelho exclui a melhor arma de reconhecimento do cachorro: o olfato.
O biólogo Marc Bekoff, da Instituição do Colorado, testou o próprio bichinho para saber se ele era apto, de algum jeito, de se diferenciar. Ao invés de testar imagens, Bekoff pensou como um cão. Durante cinco invernos, toda vez que saía pra passear com o companheiro, recolhia pedaços de neve onde o cão havia feito xixi.
Depois, recolhia neve com urina de outros cachorros. Assim Bekoff espalhava os blocos de neve - alguns com xixi do cachorro dele, outros com o de outros cães -por lugares diferentes. E a reação do melhor colega do pesquisador era a toda a hora a mesma: quando encontrava a urina de outro cão, despejava um novo jato de xixi em cima pra marcar o território como dele.
Normal. No entanto quando encontrava um bloco com a própria urina, não dava bola. Sabia que aquele xixi de imediato era dele, desse modo o território não precisaria de remarcação. Consequência: o cachorro domina super bem quem ele é. Mas contrário de você, que se reconhece pela fisionomia, ele faz isto pelo cheiro. Se o nosso universo é abundante em imagens, o dos animais domésticos, as estrelas desta reportagem, vem carregado de sons, cheiros e sensações.
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