Com Entrada Franca, Santos Prepara Ações Em 'final' Das Sereias, Pela Vila


Seus integrantes falam em bíceps, supino, creatina, drop sets e músculo com a mesma naturalidade com que seus bisavós pensavam em purgantes, Elixir Nogueira, acrescentamento do muque e do garbo. A desejo de ter um organismo forte e bonito é milenar. Porém apenas no século vinte foi possível transformá-la em fenômeno de massa, sustentado por uma megaindústria de suplementos alimentares e materiais esportivos.



Foi no momento em que a ciência interessou-se por uma proteína denominada Whey, obtida graças à fabricação de queijos. Antes de 1960, a Whey era descartada ou incluída pela alimentação do gado. Vinte anos mais tarde, ela conheceu seus dias de glória entre os atletas. Ao mesmo tempo, a batata-adocicado virou uma espécie de celebridade alimentar nas refeições dos "marombados", mais rica em ferro, vitamina e cálcio do que a batata inglesa. No entanto o sucesso da Whey e a celebridade da batata-doce são só sintomas do acrescento inusitado das exigências feitas ao corpo humano pela data contemporânea.



Nela, a aparência atlética, outrora típica de um grupo de esportistas de alto nível, se tornou dever e certo de todos. Exercitar-se e obter músculos aplica-se a homens e mulheres, pobres e ricos, idosos e jovens, conservadores e revolucionários. Cedo ou tarde, os mais tipos diferentes humanos parecem igualados, dobrando-se em exercícios abdominais. O atual culto ao corpo atlético entrou pela era democrática e deixou de ser exclusivo a jovens do sexo masculino.



Desde os anos oitenta, o mercado do músculo adquiriu cores, roupas aerodinâmicas, público feminino e suplementos nutricionais espetaculares. Logo você receberá os melhores conteúdos em teu e-mail. Você pode almejar ler mais alguma coisa mais profundo relativo a isso, se for do seu interesse recomendo acessar o web site que deu origem minha post e compartilhamento dessas dicas, veja Registro Completo e veja mais sobre. Ora a banalização da dieta e da rotina dos atletas atende muito bem às necessidades do credo neoliberal em expansão. Aplicado ao corpo, esse credo colabora, inicialmente, a maximização de uma lógica concorrencial, preocupada em preservar o foco.



Aprende-se que acompanhar um corpo não é suficiente. É preciso focá-lo e, de preferência, por partes. De onde resulta, a título de exemplo, uma nova abundância de barrigas, da chapada à negativa. Mas como a concorrência não cessa de acrescentar, logo surgiu a duríssima "barriga tanquinho", revelando a alternativa de melhorar ainda mais o foco sobre o assunto si mesmo. E no Brasil, com amplo população jovem, a concorrência é acirrada.







    • Ovo de pata






    • Elevação lateral sentada - 3 séries de 8, oito e seis repetições






    • 1 col. (sopa) de farinha de trigo integral






    • Extensão de quadril pela bola - 2 séries de quinze repetições






    • Em um recipiente misture todos os ingredientes secos






    • 350 gramas de peito de frango








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Em segundo recinto, o credo neoliberal aplicado ao corpo favorece a transformação da excelência física em meta e em jeito de existência, sem hora pra começar, nem idade pra terminar. Fica impressão de que deixou de ter graça a música de Noel Rosa, intitulada "Tarzan (o filho do alfaiate)", que dizia: "não há homem que consiga os meus músculos pegar". Hoje a musculação detém milhares de adeptos.



O cinema americano contribuiu, valorizando mulheres tonificadas em filmes como Fame e Flashdance, sugestivas de sensualidade feita com poucas palavras e diversas acrobacias. No Brasil, na mesma data, as academias de ginástica aliaram-se ao biquíni asa delta, pai do fio dental. Quanto mais se despia o corpo, mais ele devia ser coberto com cremes e músculos. Assim, existe um terceiro porte da aparência atlética valorizada pelo credo neoliberal: a aversão à nudez de corpos não trabalhados, entendidos como vagarosos.



Uma vez que o organismo tem que ser instrumento de rendimento permanente, no trabalho, no lazer e no sexo. Uma linguagem empresarial foi aplicada à fisiologia e ela fala em gestão sem déficit das energias e emoções. Como se cada corpo fosse uma microempresa e uma macropreocupação. Durante séculos foram feitos jejuns para salvar a alma, hoje, há regimes pra melhorar o corpo humano.



Todavia, a derradeira obrigação neoliberal defende um organismo potente mas assim como leve e maleável. Na lógica empresarial de hoje, quem não combina massa com velocidade mostra fragilidade, pobreza e doença. Corpos bem sucedidos não exigem somente músculos todavia também leveza. Quem sobe na escala social não quer mais ter um corpo humano semelhante com uma casamata. Uma parcela da geração Whey sabe disso. Porém mesmo fora dela, difícil não perceber que até mesmo consumir uma batata tem sido transformado num gesto a ser exercido com sucesso.