Casal Muda Rotina Para Amparar Animais Vítimas De Maus-tratos

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Juntos há 33 anos, Silvia, 51, e Marcos Pompeu, quarenta e sete, nunca tiveram filhos, entretanto metade da vida deles tem sido dedicada a formar uma enorme, e variada, família. Os 2 dividem, literalmente, a residência e um terreno de 35.000 m² com mais ou menos trezentos bichos de 20 espécies. Todos os animais ali escondem trágicas histórias de sobrevivência.



Para o lar dos Pompeus, o Rancho dos Gnomos, em Cotia (Vasto SP), só irão vítimas de maus-tratos. Este é o legado deixado por circos, rodeios, tráfico e outros tipos de brutalidade. Chiquinha é uma das veteranas. A macaca-prego foi violentada com diferentes tipos de ferramenta onde vivia, na periferia paulistana.



Diagnóstico: prolapso uterino e vaginal. Foi submetida a uma operação para a retirada do útero. Durante 8 anos, só Silvia chegava perto da bicha. A macaca vivia no colo. Tomava leite, água e suco pela mamadeira. Fez tratamento com florais e musicoterapia. Aos poucos, voltou a tolerar a presença de homens. De Embu-Guaçu chegou Gadu.



Essa viu a mãe macaca ser eletrocutada na fiação elétrica. Agarrou-se ao corpo humano da mãe morta e só se desgrudou à força. Dormiu durante 15 dias no pescoço de Marcos. O casal viajou 1000 quilômetros pra encontrar Darshan, abandonado num frigorífico sujo e desativado nos cafundós do Espírito Santo. Para alimentar a alcateia, donos de um circo trocaram o sendo assim filhote de leão por um punhado de "tragédia" (leia-se "carne", frase que não faz porção do vocabulário do rancho).



Durante dez anos, Darshan dividiu uma área de 20 m² com moscas, baratas e outros "bichos escrotos". Teve desnutrição e uma doença crônica na coluna. Foi submetido a sessões de acupuntura, recebeu quarenta pontos de ouro para aliviar as dores. Hoje, vive, todavia com várias sequelas. A menos de dez metros dali, Serena, uma onça-pintada anda escaldadíssima. Cheiro de gente basta para ela escancarar os dentes -os caninos, superiores e inferiores, foram serrados.



Ela carrega tumores no abdômen, todavia veterinários desaconselham uma operação. De idade avançada, a onça-pintada não resistiria. O rancho recebe animais de diferentes órgãos públicos. Pedidos de socorro vêm de todo o Brasil e de vizinhos. Lá, os bichos são castrados. A maioria passa por acompanhamento médico. Marcos. (Como a "carne" é "tragédia", no glossário dos Gnomos "morrer" é "ficar livre", cova é "berçário", "cocô" vira "produto").



Os animais começaram a cruzar o trajeto dos Pompeus em 1992. Recém-casados, o ex-funcionário público e a ex-decoradora faziam planos de viver nos EUA. Com passagem comprada, decidiram ceder um tempo no sítio do pai de Silvia. Até assim, nem sequer cachorro eles tinham. Marcos acompanhava um comparsa e se deparou com um bichinho à venda em uma feira.




  • 17 "A História do Galo Ataliba" Outubro de 1998

  • 2 A Minhoca Encantada e A Nova Babá 10 de outubro de 2017

  • Deixar o cachorro puxar a guia ao longo do passeio

  • 12,5 a 23 kg - 214 a 450 g

  • Procure no dicionário o sinônimo e o antônimo de benéfico



No momento em que chegou em moradia com a criatura nos braços, Silvia ficou desesperada. O embrião do projeto já tinha nome: Talismã. O que ninguém imaginava é que a bicha veio com um "presentinho". O nascimento de Lua abortou a ideia do casal de ir para Nova Jersey, onde, à época, viviam os pais e o irmão caçula de Silvia.



O casal vendeu o automóvel e com a grana construiu um cabril. Ajuda vem de escassos parceiros. Mesmo deste jeito, a conta não sai do vermelho. O casal "tampa por aqui pra destampar ali". Num mês, acertam o fiado com a casa de ração. No outro, adaptam recintos para abrigar novos moradores, como Eni Xendra, filhote de onça-parda encontrado com fratura pela tíbia, num canavial no interior.