A Enorme Divisa Nos Contos De Borges
Logo você receberá os melhores conteúdos em seu e-mail. Realmente; pena que seja um bêbado. A última observação foi feita por uma moça a quem Borges dedicava afeto profundo. O ríspido diagnóstico fez com que largasse a bebida. Todavia não largou os arrabaldes: seguiram a obcecá-lo pelo resto da vida, como bem demonstrou a brilhante crítica Beatriz Sarlo em Borges: um escritor na periferia, de 1993, um dos melhores livros já escritos a respeito do mestre argentino.
O Brasil surge de modo ainda mais nítida em inúmeras páginas de Borges, sempre em localização oblíqua, reticente, fantasmagórica e fatal. A escassez de espaço me obriga a escolher apenas um caso: o conto Tlön, Uqbar, Orbis Tertius, que abre Ficções. Herbet Ashe, o homem que "sofria de irrealidade", viveu no Rio Vasto do Sul antes de variar-se para Adrogué, pela Argentina.
Do Brasil, foi-lhe remetida, por mãos misteriosas, um dos volumes da Enciclopédia de Tlön. Mais tarde, recebe uma carta anônima com selo de Ouro Preto, documento que revela detalhes bem como cruciais ao enredo. Afinal, numa viagem à divisa uruguaio-brasileira ‒ ei-la, mais uma vez ‒ o personagem-narrador descobre que o universo imaginário de Tlön está invadindo nossa realidade.
Pela "venda de um brasileiro", um equipamento evidentemente tlöniano é localizado no "tirador" ‒ conhecida indumentária gaúcha ‒ de certo cantor e arruaceiro "vindo da fronteira" (de Livramento, quem domina?). Estas minúcias sugerem que o Brasil ‒ particularmente o Rio Vasto do Sul e Minas Gerais ‒ é um dos centros da conspiração global por cujas estratégias o mundo, mais cedo ou mais tarde, "será Tlön". A distância e a familiaridade conjugaram-se na fascinação de Borges por nossa fronteira meridional. É preciso manifestar que, pela concepção de Borges, a Argentina e o Uruguai montavam um território mentalmente consecutivo: a estendida cultura do Prata, ela própria basicamente limítrofe, para sempre oscilante entre a Europa e o continente sul-americano.
- 50% púrpura; 50 por cento amarelo
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- cinco Técnicas em cavalos e ruminantes
Chegando à orla do Brasil, surpreendeu-se ao localizar aí figuras e ocorrências que lhe lembravam os grandes clássicos argentinos, como Martin Fierro e Dom Segundo Sombra. Em Buenos Aires, os gauchos há muito escasseavam; pela divisa do Uruguai com o Brasil, pululavam às centenas e, em certa capacidade, ainda se comportavam como os protagonistas de José Hernandez e Ricardo Güiraldes. Ao mesmo tempo, a vastidão lusófona do Brasil acenava com atraente estranheza: o selo de Ouro Preto, em Ficções, representa a sedução desta vertigem. No início desse texto, declarei que as fronteiras amadas por Borges não eram só geográficas, todavia metafóricas.
Se me estendo em tão alto grau a discutir sobre isso os arrabaldes de Buenos Aires e os limiares do Brasil austral, é porque esses espaços existem duplamente: como recinto e como símbolo. A palavra "borgeano", abusada por resenhistas, parece ter perdido entre nós cada sutileza de significado; parece apontar, apenas, um amo meio antiquado pelos clássicos, uma morosa propensão erudita em páginas ficcionais. O discernimento de Borges como um escritor fronteiriço quem sabe sirva de antídoto a esse mal-interpretado. O autor de Ficções transitava na literatura como quem sobe e desce por uma borda imaginária, sem respeitar as divisões e hierarquias da alfândega cultural. Abordava os clássicos de modo lúdica, observando-os "a contrapelo", pela sentença de Beatriz Sarlo: sem reverências monolíticas, a todo o momento de modo rigorosamente pessoal, corrigindo-os ou refutando-os no momento em que achasse primordial. José Francisco Botelho é escritor, jornalista e tradutor. Seu livro de contos A árvore que falava aramaico (Zouk - 2011) foi finalista do prêmio Açorianos. Sua mais recente tradução, Romeu e Julieta (Penguin/Companhia), recebeu o 2o território do Prêmio Jabuti de Tradução.
Na hora de se cuidar de uma fatia, utilize um garfo, evitando manipular o alimento com as mãos. Consuma-os em até dois dias", sugere a nutricionista da Clínica Medicina Integrada. Ranço e gosma pela superfície dos frios significam microorganismos em ação - e problemas de contaminação pela certa se forem consumidos.
Geralmente recheados e preparados com leite e ovos, eles costumam permanecer expostos, enfeitando a mesa do aniversariante. Esse tipo de alimento não podes continuar mais de duas horas em temperatura local, perante o traço de auxiliar a proliferação de bactérias e toxinas", alerta Dr. Bactéria. Todavia o risco superior está pela hora de reduzir as velinhas.
O aniversariante assopra e espalha gotículas de saliva cheias de Staphylococus aureus, que são capazes de produzir toxinas que provocam intoxicações com náuseas e vômitos. Ao comprar o item verifique os detalhes da embalagem: o rótulo deve conter a data de validade, o número do lote e as informações do fabricante. Um alimento de má procedência pode conter a toxina botulínica, bactéria transmissora do botulismo, doença que poderá levar à morte. Palmito em conserva só necessita ser adquirido de marca e estabelecimentos confiáveis. Por ser um vegetal mole, ele não resiste a altas temperaturas e pra que não venha fazer a toxina botulínica necessita ser preparado industrialmente com quantidades de ácido e sal adequadas. As conservas clandestinas, caseiras ou adquiridas em beira de rua são de extremo risco", avisa Maria Bernadete, do CVE.
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